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domingo, 25 de março de 2007

Dälek - Abandoned Language

8/10
Ipecac
2007
www.deadverse.com



O percurso do projecto Dälek está nos antípodas da invasão de simplismo que tomou conta do hip-hop de massas nos últimos anos. A DJ Oktopus e MC dälek, elementos criativos do conceito, pouco importam as modas ou os quesitos do mercado discográfico. Fiéis a uma estética própria que lhes valeu o respeito da comunidade underground, atingem, ao quarto registo de estúdio, o auge de maturação que se adivinhava antes, prosseguindo na exploração de sinergias improváveis entre o underground rap e uma miríade de sons importados de universos paralelos ao género. Este Abandoned Language é um exercício de pura integridade criativa, deixando de lado as guitarras eléctricas que, com eficácia variável, eram parte significativa do guião de trabalho anteriores, e trocando-as por armações de outras cordas (e até metais), ora melodicamente plácidas (com qualquer coisa de jazz de vanguarda nos saxofones), ora abeirando-se do psicadelismo (ou, em certos ápices, de uma saborosa "desorientação" tonal, cortesia das cacofonias do convidado Rob Swift, dos X-ecutioners). No fundo, o disco é uma das mais consistentes alavancas para o crescimento de uma cultura sonora de margem e certifica os Dälek como um dos sujeitos proeminentes (e imperdíveis!) dessa família.

terça-feira, 26 de abril de 2005

11 rapidinhas


Dälek-Absence (7/10)
Hip-Hop vanguardista e experimental que recorre a fórmulas simples de batidas electrónicas e aproximações aos som abstracto do rock industrial, num tom idêntico a Mike Ladd.
(Ipecac, Setembro 2004)







SMADJ - Take It and Drive (6/10)
O tunisino Jean Pierre Smadja é um dos expoentes da música sufi moderna, um dos percursores árabes da guitarra e apresenta, neste trabalho, a alma das suas raízes, apimentada com uma boa dose de experimentalismo vocal e com o eclectismo de padrões sonoros que buscam o improviso do jazz e dos samples, num tomo de composições adornada pela electrónica.
(Sterns Music, Abril 2004)





Evil Nine - You Can Be Special Too (6/10)
Tom Beaufoy e Pat Pardy trazem-nos uma mistura única de hip-hop, electro-rock 80's e techno cuja frescura cativa na primeira audição mas não agarrará ouvintes além da festa de garagem do vizinho do lado.
(Marine Parade, Outubro 2004)







The Impossible Shapes - Horus (6/10)
Rock contemplativo e compassado onde o protagonismo maior é assumido pelas notas trémulas da guitarra, a percussão minimalista e a voz cinzenta de Chris Barth, numa receita que combina a tradição folk do Reino Unido com texturas subliminaramente psicadélicas e melódicas.
(Secretly Canadian, Fevereiro 2005)






The Raveonettes - Pretty In Black (7/10)
Terceiro registo da dupla Sune Rose Wagner (guitarra e voz) e Sharin Foo (baixo e voz), Pretty In Black revela uma abordagem menos rock e mais indie, ainda que o road-rock nostálgico preencha o imaginário do disco com a eficácia habitual da parelha dinamarquesa.
(Sony, Maio 2005)





Pink Martini - Hang On Little Tomato (7/10)
Depois da fama com "Je ne veux pas travailler" (do anúncio da Citroën) os Pink Martini regressam com a enérgica e abrangente matriz do primeiro álbum: uma mistura tentadora de jazz latino com tramas de pop orquestral e vocalizações versáteis em espanhol, italiano, francês, servo-croata e inglês. O paradoxo (ou não?): é ligeiro de mais para ser levado a sério e, simultaneamente, sério de mais para ser uma brincadeira jazz.
(Heinz, Outubro 2004)







Mike Ladd - Negrophilia: The Album (8/10)
Registo ambicioso e transversal, percorre as raízes do jazz e da cultura negra, cruzando-as com um ambiente étnico, quase tribalista, onde a genuína consciência hip-hop é o acento proparoxítono de percussões soberbas e composições sem limites de soberba inventividade.
(Thirsty Ear, Fevereiro 2005)






Katia B - Só Deixo Meu Coração Na Mão De Quem Pode (7/10)
Segundo álbum de uma das mensageiras da nova MPB, na linha de Fernanda Abreu, em discurso directo que serve às mil maravilhas o preceito de pop madura da proposta. Nova música brasileira que busca as raízes da bossa nova e as enfeita nos ritmos sensuais do trip hop.
(MCD, Novembro 2003)







Readymade - All The Plans Resting (6/10)
Terceiro álbum do quinteto canadiano, em jeito de comemoração do décimo aniversário da banda, mostra um som demorado e melancólico, em perspectivas caleidoscópicas que misturam a voz, as cordas e o ruído ambiental com consistência mas sem escapar ao incómodo de uma certa monotonia.
(Where Are My Records, Abril 2005)





Mudvayne - Lost And Found (4/10)
Nu metal de consumo rápido e baseado em lugares comuns com conteúdos líricos do tipo ninguém-me-entende, ainda mais estafados do que a paciência para ouvir o grupo de Illinois.
(Epic, Abril 2005)








Jane Birkin - Rendez-vous (5/10)
A sussurrante voz que acompanhava Gainsbourg na erótica "Je T'Aime...Moi Non Plus" (1969) propõe-nos uma colecção de duetos com gente célebre (Etiénne Daho, Caetano Veloso, Feist, Manu Chao, Françoise Hardy e Polo Conte figuram aqui) que mais não faz do que recordar que Birkin existe.
(EMI, Junho 2004)