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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cat Power - Jukebox

5/10
Matador
Popstock
2008
www.myspace.com/
catpower



O formato de revisão de canções assinadas por outros já não é estranho à americana Chan Marshall que, com este segundo exercício nesse estilo (depois de The Covers Record, de há oito anos atrás), parece confirmar tendência para pontualmente prestar homenagem a canções e protagonistas que marcaram o seu percurso e integram as suas afinidades musicais enquanto na pele da persona Cat Power. Para este trabalho, além de um alinhamento que contempla originais celebrizados por Bob Dylan, Frank Sinatra, Hank Williams, James Brown, Joni Mitchell, Billie Holliday ou Janis Joplin, a cantautora fez-se acompanhar do quarteto The Dirty Delta Blues, propositadamente reunido para as últimas actuações em solo americano e que junta Jim White (baterista dos Dirty Three), Gregg Foreman (teclista dos Delta 72), Erik Paparozzi (baixista dos Lizard Music) e Judah Bauer (guitarrista dos Blues Explosion). Com semelhante trupe de músicos, não espantam os paladares blues que dirigem grande parte do disco, mesmo quando, num ou noutro instante, Cat Power se refugia num registo formalmente mais recatado e intimista e, também por isso, mais distante das coordenadas originais. De resto, por comparação com o primeiro disco de versões de Marshall, este Jukebox dá mostras de um critério mais largo na hora de a priori escolher referências; essa circunstância, todavia, acaba por revelar-se a posteriori uma falha irónica, em função da mediania e monocordismo da maior parte das versões, mesmo aquelas que, na forma original, são estruturalmente bem distintas. Mas "Silver Stallion" (dos The Highwaymen, o super-grupo de Johnny Cash, Waylon Jennings, Willie Nelson e Kris Kristofferson) ou "Lost Someone" (de James Brown) salvam o dia...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Cat Power - The Greatest

Apreciação final: 7/10
Edição: Matador Records, Janeiro 2006
Género: Folk/Pop Alternativo
Sítio Oficial: www.catpowerthegreatest.com








Chan Marshall esconde-se por detrás do pseudónimo Cat Power há trinta e três primaveras e, ao sétimo longa-duração de um trajecto seguro no circuito indie - onde merece honras de reconhecimento generalizado - parece buscar a emancipação desse género músical. Para tal fim, fez uma manobra de risco: rodeou-se de um corpo de músicos de elite (entre eles o guitarrista Mabon Hodges e o baterista Steve Potts, parceiros artísticos de Al Green e Booker T, respectivamente) e cobriu os vazios e os silêncios que frequentemente compunham a sua idiossincrasia musical com nacos da mais fine estirpe instrumental. The Greatest é, portanto, um produto tecnicamente maduro, com um som nutrido e íntegro e que vinca uma reviravolta estética de Marshall. Dos esparsos exercícios solitários em que a voz se confiava apenas aos tricotados de um piano ou aos arpejos de uma guitarra, ficam as sombras. Marshall acolhe, neste álbum, um registo mais orquestral e preenchido, qualquer coisa que a afasta definitivamente das conotações pós-grunge do passado e que assume, de corpo inteiro e formas naturais, um propósito melancólico distinto, algures entre o modelo blues, a incerteza do pop jazz e um traço vago da tradição country americana. Os impulsos contradizem a espontaneidade da introspecção avulsa do belo Moon Pix (1998), ou mesmo de You Are Free (2003), mas a escrita de Marshall retém o charme intimista de sempre, à custa de uma voz de veludo quente - daquelas que geram arrepios pele de galinha - e docemente desarmante. É certo que o traje musical traz medidas não consideradas antes por Marshall e se dissipou um quinhão importante do acanhamento meditativo (desilusão para os adeptos dos primeiros discos?), mas a honestidade no desbravamento da melancolia permanece intocável, como se a pacata musa do underground se tivesse feito, finalmente, a faloa de eleição dos amores perdidos do Memphis.

The Greatest é o (re)encontro de Marshall com as raízes, em ritmos e sabores diferentes, comparáveis aos finais da década de 60 e à mais pura memória da música americana, num jeito que não envergonharia Sam Cooke ou Willie Mitchell e que forja as primícias de outra Cat Power. Afinal, sem os rabiscos indecisos de outros discos, o autógrafo dela mantém-se, mas reveste-se em harmonias diferentes e em canções com mais corpo. Com um discurso diferente, The Greatest é um manifesto de afectos - mesmo para os fãs nostálgicos da catarse misantrópica que Marshall tão bem desenhou noutros momentos - e confirma o crescimento artístico de Cat Power. A menina envergonhada cresceu e já vai sozinha à mercearia...