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segunda-feira, 9 de abril de 2007

Bright Eyes - Cassadaga

6/10
Saddle Creek
2007
www.thisisbrighteyes.com



Depois de assentados os arraiais da desmesurada vaga de consagração geral subsequente à dupla edição do acústico I’m Wide Awake It’s Morning e do sintético Digital Ash in a Digital Urn, já lá vão dois anos, Conor Oberst e os seus Bright Eyes estão de volta. E se aquele par de discos, a despeito dos reconhecidos atributos, parecia revelar sinais de alguma irresolução estética da banda face a dois caminhos alternativos, Cassadaga dissipa dúvidas (se é que realmente existiram) e é um claro enunciado de canções folk-country, na linha do que previamente anunciara o EP Four Winds. A somar aos eventos costumeiros da música de Oberst, revelam-se vozes de suporte, arranjos de cordas e alguns tricotados de guitarra eléctrica, indícios de um cuidado acrescido no detalhe e, em simultâneo, de uma perspectivação menos intimista da composição. Essa "abertura" na produção tem repercussões díspares nas canções e, contrariando os paradigmas de Oberst, são precisamente os trechos mais introvertidos a perder força, em favor dos instantes mais volumosos. Em todo caso, não obstante a proporção correctíssima das faixas (mesmo nos momentos de medidas largas) e a sua passada firme, algo no disco sugere um subliminar amolecimento da verve de Oberst que nem os novos artifícios de estúdio chegam a disfarçar. No lugar da ousadia folk que até chegou a render-lhe o pomposo cognome de "novo Dylan", surge agora um simpático compromisso orquestral que, mesmo conseguindo alguns instantes de mérito, deixa a sensação de constranger ideias a uma maturação forçada e antes do prazo.

domingo, 30 de janeiro de 2005

Bright Eyes - Digital Ash In Digital Urn / I'm Wide Awake, It's Morning

Apreciação final: 5/10
Edição: Janeiro 2005
Género: Electro Indie



Apreciação final: 6/10
Edição: Janeiro 2005
Género: Indie Rock



O projecto Bright Eyes é uma mutável e desconexa criação do prolífico Conor Oberst. É sabido que o jovem (24 anos) músico do Nebraska, apesar de continuar a encontrar refúgio num quase anonimato, grava desde os seus treze anos e conta já com um rol extenso de gravações. Desta vez, a proposta desdobra-se em dois registos, lançados na mesma data, embora em edições distintas e com um estilo contrastante.

Digital Ash In A Digital Urn é um tomo de estúdio, declaradamente electrónico e contou com o contributo de Nick Zinner (baterista dos Yeah Yeah Yeahs) e Jimmy Tamborello (Postal Service). Há neste registo uma aura 80's, feita de melodias tecladas e solos de guitarra ansiosos, compondo ambientes sombrios de obsessão com a morte e a paranóia. As composições são rudimentares, sem ponta de incitamento, assemelhando-se a um estéril recalque de Give Up, registo talentoso dos Postal Service. Exceptuando uma ou duas faixas do alinhamento, o resto do disco não parece um claustrofóbico espernear de um artista cujo talento se recusa à reclusão sob o auspício do computador? Oberst fica melhor noutras fotografias.

I'm Wide Awake, It's Morning é mais acústico, também mais americano, e seguramente mais pertinente. O formato indie, às vezes quase country, do disco afaga com mais propriedade a voz trémula e indecisa do compositor, as suas composições são imbutidas em medidas exactas nas texturas tranquilas das guitarras acústicas. A solidão pinta os contextos líricos do registo, compondo confissões sinceras em canções delicadas e intensas, despidas de ardis de estúdio. Ainda assim, fica o lamento: as letras de Oberst não são da mesma casta das músicas. Nota de mérito: Emmylou Harris dá a voz em três temas. Em todo o caso, I'm Wide Awake, It's Morning, ainda que aliterante, é um tomo interessante e que vexa Digital Ash In A Digital Urn.


Posto de escuta Digital Ash In A Digital Urn Gold Mine GuttedArc Of Time (Time Code)Take It Easy (Love Nothing)



Posto de escuta I'm Wide Awake, It's Morning We Are Nowhere And It's NowLuaLand Locked Blues

sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Bright Eyes - Lifted Or The Story Is In The Soil, Keep Your Ear To The Ground (CD, 2002)

Apreciação final: 7/10

Bright Eyes é o projecto musical de Conor Oberst, um jovem cantautor do Nebraska. Com apenas quatorze anos, Oberst foi guitarrista dos Commander Venus, surpreendendo o mundo indie. A banda dissolveu-se depois de lançar dois álbuns e criar a sua própria editora, a Saddle Creek. Esta etiqueta é a responsável pelos lançamentos do projecto Bright Eyes.

Este registo é um produto intrincado, com uma solidez assinalável e não é monótono. A voz de Oberst é quente, às vezes abrasiva, sempre íntima. O disco compõe uma história sonora que nos toca a todos, um relato profundamente enternecedor, um desejo abstracto que não devemos reprimir para lhe percebermos a pureza. As músicas são essencialmente acústicas, enriquecidas por uma produção equilibrada e letras depressivamente reflexivas, num comovente tom auto-biográfico.

Bright Eyes é uma curiosa sublimação da vida, das frustrações, dos amores, dos desejos íntimos e dos segredos ocultos.