
Depois de, com o disco de estreia de há dois anos, em plena eclosão da maré cheia de novos protagonistas no rock britânico, terem suscitado uma desmedida onda de entusiasmo à sua volta, coisa em muito ajudada pela inclusão de "Banquet" numa campanha publicitária da Vodafone, chega a hora dos Bloc Party se exporem à prova do segundo álbum. E a primeira impressão que fica de A Weekend in the City é a disparidade com o antecessor. É notória a escusa do quarteto a repetir os métodos de Silent Alarm e fazem-se imediatas as evidências disso: a voz de Okereke é mais ortodoxa, apenas a espaços tenta a irreverência do debute, e as composições testam uma matriz diferente, mais experimental, com outros ingredientes sonoros (nem sempre pertinentes) e uma dimensão rítmica distinta. Tal propósito reformista seria, em teoria, o caminho para suprir alguns equívocos estruturais da música dos Bloc Party e afastá-los da moda seguidista do rock bretão recente, em busca de uma identidade própria que subliminarmente se percebia em Silent Alarm. Por ora, a construção desse novo ego, tem uma eficácia incerta: neste padrão (mais reflexivo), sem parte das substâncias fulcrais do debute e ainda um pouco às apalpadelas, os Bloc Party perderam a chispa.
