Mostrar mensagens com a etiqueta Blasted Mechanism. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Blasted Mechanism. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 27 de março de 2007

Blasted Mechanism - Sound in Light

8/10
Universal
2007
www.blastedmechanism.com



Com mais de uma década de estrada e palcos, os Blasted Mechanism rendem-se definitivamente ao impulso místico da sua música. Se essa afinidade com o lado espiritual esteve sempre presente nos trabalhos anteriores, ou não fossem eles cultores de um qualquer tribalismo futurista (ou, à falta de melhor definição, de um interesse quase "religioso" por civilizações, criaturas e idiomas esquecidos ou imaginados), nunca como no duplo Sound in Light/Light in Sound ela se declarou tão abertamente. Em vinte e cinco trechos, a sofisticação do som rústico e tribal continua a ser a imagem de marca da banda, com as costumeiras influências de tons oriundos das mais diversas latitudes e géneros, do dub-funk mais esotérico, ao rock incendiário, à electrónica de absorção rápida (matéria menos tímida do que no passado) e às mais itinerantes formas de expressão musical, agregadas sob o signo da unificação espiritual das gentes do mundo ("unite the tribes"). Além desse desígnio redentor - coisa messiânica a que só um conceito conceptualmente nómada como os Blasted Mechanism se poderia propor - o improviso e a experimentação firmam um paradigma novo no grupo, especialmente no segundo disco (com mais dez composições), onde se revelam inúmeros alvitres sobre os atalhos vindouros do som da banda. Afinal, é essa porta escapista a saída que há-de levá-los à próxima mutação...

segunda-feira, 28 de março de 2005

Blasted Mechanism - Avatara

Apreciação final: 7/10
Edição: Metrodiscos/Universal, Março 2005
Género: Electro-Rock/Dub-Rock/Etno-Rock







A saga evolutiva dos Blasted Mechanism prossegue imune a qualquer forma de desgaste e, acima disso, com o veio inventivo e versátil que caracteriza o percurso de Karkov, Valdiju e companhia. Avatara é a mais recente transformação da espécie humanóide que preenche o espaço inspirador da banda nacional e que, nesta fase, parece agregar as deambulações tribais e funk da génese inicial com a maquinação electro-rock do último registo, Namaste. Neste registo, o universo sónico é preenchido por uma indisfarçável aproximação à textura reggae-dub de uns Asian Dub Foundation, apimentada por uma perspectiva afro-industrial única e que se verte em instrumentalizações de nível supremo. A produção de Avatara é inteligente, destacando a orgânica do colectivo português e a espontaneidade das colagens sonoras do disco.

A lista de convidados inclui a cantora Maria João (empresta um cunho singular aos temas "Power On" e "Pink Hurricane"), o grupo hip-hop Dealema (introduzem o português na atmosfera Blasted Mechanism) e o DJ Nelassassin. A presença catalítica destes ilustres músicos é vector coadjuvante da metamorfose, em invocação venerada de uma avatara incapturável. Avatara é uma excursão a uma galáxia incerta onde divindades excêntricas assumem formas proto-humanas e dançam com alarde ao som de profusões rítmicas agitadas, também letárgicas, no cumprimento de cerimoniais de exaltação espiritual. Os Blasted Mechanism estão mais místicos, Avatara é quase imaterial, mas pode muito bem ser o melhor disco da mais carismática banda nacional.