Mostrar mensagens com a etiqueta Black Dice. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Black Dice. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Black Dice - Load Blown

5/10
Paw Tracks
2007
www.blackdice.net



Embora não haja um segredo tecnicamente depurado na sonoridade dos Black Dice, tampouco uma dinâmica passível de grandes flutuações, a música deste trio nova-iorquino traduz uma expressão artística que pouco tem de "estacionária". Normalmente erguidas sobre um lastro melódico mínimo (muitas vezes, ele não é imediatamente perceptível), as composições aceitam, depois, o propósito transgressor de buscar interferências gravitantes de ruídos e distorções multiformes e abrasivas. Essa filosofia subversiva punha acento tónico, especialmente numa série de edições avulsas anteriores ao primeiro longa-duração do grupo, no recurso à distorção, então mostrando uma semente de noise rock pungente (ao jeito dos momentos mais ácidos de John Zorn, por exemplo) que, paulatinamente, o trio foi deixando cair em favor de uma catarse mais electrónica. Se o eufemismo sintético conheceu ápice de inspiração em Beaches & Canyons, apressadamente entronizado há cinco anos como um acto de criação maior, de então para cá a fórmula motivou alguns reveses, ora perdida no assombroso emaranhado de probabilidades estéticas que criou, ora indecisa na preferência entre a acidez do passado e o escapismo electrónico de hoje. Load Blown, quarto longa-duração dos Black Dice, mesmo afastando parte significativa dessa irresolução ao confirmar o empolgamento da banda com o psicadelismo corta-e-cose electrónico (e a aparentemente definitiva dispensa das distorções avant-core da génese do grupo), não ajuda a repor equilíbrios, recuperando composições editadas pela banda nos EP's Manoman (DFA, 2006) e Roll Up/Drool (Paw Tracks, 2007) e juntando-lhes cinco peças novas. O conjunto soa a família disfuncional, muitas vezes confundindo repetição com preguiça e bizarria com hipérbole. Não pode dizer-se que seja um disco inconsequente, não o é em essência, mas fica a anos-luz da transcendência de Beaches & Canyons e nem sequer toca o "pragmatismo" melódico do antecessor, Broken Ear Record. "Scavanger" - muito ao estilo de Panda Bear - ou "Gore" são os fragmentos de criatividade que ressaltam da mediania geral.

Posto de escuta MySpace da banda

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Duas faces dos novos sons da América

Exercício alucinante de colagens vídeo, o novo clip dos Black Dice representa uma curiosíssima transposição do universo de esquizofrenias sónicas do grupo nova-iorquino para os domínios da imagem. E o resultado é, como é regra na música dos Black Dice, um desafio a qualquer convenção estética. O álbum chama-se Load Blown.



A outro nível, uma nota de destaque para o primeiro avanço de Invitation Songs, dos The Cave Singers. Eles vêm da mesma Seattle que tornou célebres as flanelas grunge mas estreiam-se em disco com uma sedutora proposta de folk psicadélico, como bem fica demonstrado nesta "Dancing on Our Graves". O vídeo é construído em volta de uma cenografia retro a preto e branco que serve como uma luva ao conceito musical do trio americano.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Black Dice - Broken Ear Record

Apreciação final: 7/10
Edição: DFA/Astralwerks, Setembro 2005
Género: Noise/Electrónica Experimental
Sítio Oficial: www.blackdice.net/dicemain.htm








Os Black Dice são iconoclastas por excelência. E fazem alarde dessa condição, decompondo com argúcia os formalismos da indústria musical. Para eles não há axiomas nem regras que não mereçam ser desmontados, detalhe a detalhe, e (re)arrumados em feições extravagantes, como se virados do avesso e mostrados num novo estado bruto. Assim é a música deste trio de Brooklyn: maquinal, polinsaturada, inveterada e solta. Broken Ear Record alinha por esse diapasão, tem a presunção grandiosa de ser cósmico mas aceita, ironicamente, um microcosmo apocalíptico quase tribal. À electrónica desregrada e orgulhosa das imperfeições e intermitências, juntam-se ruídos incógnitos e rumores ao serviço de uma litania encriptada. Dessas ladainhas sintéticas provém uma substância musical invulgar, com palpitações vanguardistas e experimentais, talvez mais ritmada do que nos trabalhos anteriores do grupo. Esse incremento rítmico não tira crédito ao selo Black Dice e permite uma harmonia de formas mais simpática para ouvidos duros. As composições são mais intuitivas e, sem perderem a bizarria e o modernismo característico do colectivo americano, sublinham a abstracção do electro noise. E como obra do género noise, Broken Ear Record é um abundante jogo de sensações, uma adivinha maravilhosa, um jorro anormal de fluidos sonoros.

Quem espera um disco acessível, esqueça! Nunca foi essa a premissa dos Black Dice. Eles subscrevem o psicadelismo e a ruptura, combinam futuro e antiguidade e alcançam objectivos (e objectos) inauditos. Broken Ear Record é uma dessas causas. Não é um disco, é um laboratório. Por isso, não é tão inteiro quanto outros trabalhos dos Black Dice e divide-se em contorcionismos penalizadores: ora se apresenta criativo e robusto, ora se expõe em hesitações retóricas. Ainda assim, o novo rebento dos Black Dice é um bom ponto de partida para desconhecedores dos nova-iorquinos. Os fãs antigos não vão descobrir nada de substancialmente novo. Mas é Black Dice.