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terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Belle & Sebastian - The Life Pursuit

Apreciação final: 8/10
Edição: Matador, Janeiro 2006
Género: Indie Pop-Rock
Sítio Oficial: www.belleandsebastian.com








A música actual dos escoceses Belle & Sebastian é peculiar. Os rasgos de inspiração vêm de origens diversas e acolhem os formatos genéricos da pop, as ondulações verbalistas do rock'n'roll e os propósitos independentes do universo indie. Apesar disso, eles não se grudam a nenhum desses rótulos e, ao sétimo longa-duração, mantêm os mesmos malabarismos que, em início de carreira, lhes renderam o respeito da crítica. Se isso não bastasse, o espectro emocional das canções dá uma ajuda, deixando entrever alguma ambiguidade psíquica: os conteúdos melancólicos das letras são servidos por melodias brilhantes, com cadências rítmicas contagiantes e dignas de embalarem as tardes mais solarengas de dias de Verão. E é também aí que reside a magia dos Belle & Sebastian. O colectivo escocês consegue colorir os desgostos mais profundos, sem lhes subtrair o ónus introspectivo e força-nos ao mais cativante dos exercícios psicanalíticos, seduzindo-nos o ouvido, primeiro, e a mente, de seguida. Depois, há uma viragem decisiva (já tentada em Dear Catastrophe Waitress (2003)): as composições não trazem disfarces, exibem-se em tons de um optimismo tangível, seja pelas sinergias entre músicos, seja pelo primor festivo da produção de Tony Hoffer (lembram-se de Midnite Vultures de Beck?).

Definitivamente há algo diferente em The Life Pursuit. A voz de Stuart Murdoch está mais calorosa e encorpada, como se buscasse uma identidade desconhecida (já ensaiada no disco anterior), nos mesmos trejeitos da música que a embala, além das sombras do passado. O corpo musical é, também ele, uma revelação. O denominador comum às treze faixas do alinhamento é a versatilidade, acomodando o traço tradicional do grupo a uma estética distinta, feita de memórias do rock da década de 70, dos Smiths, dos Beach Boys, de Stevie Wonder, do glam, do funk. No final, The Life Pursuit é pura pop, mesmo que trajada de balada, de surf music ou rock'n'roll. E quando se trata de fazer boa pop - seja ela mais sorumbática ou, como aqui, mais arrebatada - o selo dos Belle & Sebastian continua a surgir à cabeça dos protagonistas de eleição. E The Life Pursuit não passará indiferente por 2006.

Posto de escutaProcure na grafonola as faixas "Another Sunny Day", "White Collar Boy" e "For The Price of a Cup of Tea"

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Belle & Sebastian - Push Barman to Open Old Wounds

Apreciação final: 8/10
Edição: Matador, Maio 2005
Género: Indie Pop/Compilação
Sítio Oficial: www.belleandsebastian.com








Com cerca de uma década de actividade e oriundos de Glasgow (Escócia), os Belle & Sebastian erigiram um edifício sónico quase intemporal e, em volta de um ideal de quimera pop, produzem um som íntimo e caprichoso, de graciosidade bucólica e tom serenador. Neste Push Barman to Open Old Wounds a sugestão é uma recolha dos E.P. 's gravados pelo septeto escocês entre os anos de 1997 e 2001, sendo certo que esse formato era o escape dos Belle & Sebastian para projectar inflexões criativas e optimizar o seu arsenal de composições. De resto, a feição das vinte e cinco canções arroladas nesta edição (disco duplo) é demonstrativa da vocação da banda para tecer delicados instantes de pop sofisticada, profundamente emotiva e esmerada nos arranjos barrocos. Mais do que uma mera colecção de raridades e faixas não editadas em álbum, talvez este Push Barman to Open Old Wounds seja o documento mais representativo da matéria dos B&S, um fidedigno cartão de visita para a afabilidade do seu mundo onírico e obscuro, reverenciador de uma fórmula pop nostálgica do espírito 60's - com alguma coisa (ou não?) de Velvet Underground, de Nick Drake ou dos Felt - a que se juntam, com versatilidade, a melancolia introspectiva e a quietude sorumbática da folk.

Push Barman to Open Old Wounds não é apenas um alvo para coleccionadores ou para séquitos dos B&S. Trata-se de um edição incontornável que recolhe algumas das melhores canções do grupo escocês e é um testemunho dos préstimos de uma banda que evoca um imaginário quintessencial de saudade e contemplação, registado em composições primorosas que, se deleitarão sem reservas os seguidores dos Belle & Sebastian, trarão novos fãs ao ensemble de Stuart Murdoch. Assim se dêem as devidas honras à coesão e pertinência desta compilação que mostra mais dos B&S do que qualquer um dos registos anteriores do grupo isoladamente exibia. Imperdível.