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segunda-feira, 11 de junho de 2007

Apparat - Walls

7/10
Shitkatapult
Flur
2007
www.apparat.net



Depois de ter conseguido, no ano transacto, um impacto impressivo na órbita pop digital, ao lado da compatriota Ellen Allien (ver Orchestra of Bubbles), o alemão Sascha Ring está de volta por conta própria. Apesar das inúmeras solicitações e parcerias dos últimos anos, o músico não deixou de compor a título pessoal e Walls não é mais do que uma recolha de material acumulado desde a gravação do EP Silizium (2005). Nas palavras de Ring, a escolha do alinhamento do álbum não esteve subjacente a nenhum critério estético definido a priori, embora se perceba nas peças do alinhamento uma inclinação pop a que não serão estranhas as últimas manifestações do seu percurso. Todavia, esse pendor mais "convencional" (por oposição a outros trabalhos da sigla Apparat) não ofusca a costumeira diversidade estrutural das peças, tão certas a buscar enlaces harmónicos, ora partindo do mais cru esqueleto de minimalismo IDM, ora usando os mais expansivos e intrincados revestimentos digitais. Como se esperaria, é precisamente aí que reside o argumento mais convincente deste Walls, na caótica e frenética candura das texturas orgânicas (sempre foi essa a substância mais relevante da música Apparat), quase sempre contemplativas e mergulhadas na aura de intangibilidade que Sascha Ring vem aperfeiçoando nos últimos tempos. A ligação à terra é prescrita pelas vocalizações (dele ou de Raz Ohara) que, quando presentes, desviam o disco da órbita mais confortável (coisa particularmente evidente no single "Holdon", com Ohara) e nem sempre assentam bem no espectro largo e informal das construções rítmicas, diminuindo-lhes a luminosidade. A despeito dessas minudências técnicas, há em Walls um raro alinhamento de pequenas delícias sonoras que, se pontualmente não encantam à primeira audição, acabam por justificar algumas visitas atentas.

sábado, 29 de julho de 2006

Ellen Allien & Apparat - Orchestra of Bubbles

Apreciação final: 8/10
Edição: Bpitch Control, Maio 2006
Género: Electrónica/IDM/Techno Experimental
Sítio Oficial: www.ellenallien.de
www.apparat.net








Não sendo desconhecido dos amantes da electrónica europeia recente, o projecto Apparat (saído da mente de Sascha Ring) é parte de um espaço devoto da abstracção e do minimalismo, tendo concorrido para dar outros diâmetros à moderna electrónica berlinense de cariz minucioso. Mentor de universos musicais virtuais que contestam os clichés da mecânica da música digital, Ring é destro a manobrar atmosferas que tomam o temperamento da techno e da IDM, mesclando-o com elegias emocionalmente cerradas, em encadeamentos quase maquinais, frios e duradouros. Se a ele se junta outra artesã categorizada da seminal escola de Berlim, Ellen Allien, estrela ascendente da techno vocalizada e abono certo de infusões pró-eróticas em cadências electro, parecem colar-se desígnios opostos. De um lado, os preciosismos técnicos e a percepção cirúrgica de Apparat, do outro, a fartura sensual e os rasgos de Allien. A erudição pragmática de Berlim faz o improvável, fomentando uma química de assimilação entre o farto chafariz de subversões de Allien e a urgência de penso-rápido Ring, infalível a conciliar os nacos do disco. A simetria das matérias não tem mácula e apura uma acção simbiótica menos expectável, não se limitando a sobrepor os discursos individuais dos músicos, antes, munindo cada um com novas alavancas e renovada propulsão. À sobriedade torta de Apparat é adicionado um desprendimento sensorial, um novo oxigénio que lhe alarga as vistas; do mesmo jeito, em sentido inverso, à megalomania imoderada de Allien é ministrada a posologia certa de sedativos. O som é o desenlace óbvio da terapêutica: de pulsação nocturna, feito de transparências, luzes trémulas e cores diáfanas, a cansar as leis gravitacionais de Newton, imaterial e borbulhante. A genuína orquestra de bolhas.

Orchestra of Bubbles não é música de reacções absolutas, é dança subtilmente feita pudor, executada ao canto da sala de estar (a pista de dança é apetite ambicioso de mais?) ou de phones no ouvido. Grata é a descoberta de que os músicos não se confinam às usuais impressões iconoclastas, aceitam a aposição de ideias e arquitecam um edifício sonoro que, mesmo carregado de experiências e intuições diferentes, não tem partículas saturadas. Em especulação por planos quase virgens da electrónica, a dupla Allien/Ring vai no encalço de futuros alternativos para a música de dança. Orchestra of Bubbles, exercício magno de cooperação entre ícones da electrónica minimalista, faz o primado do instrumento digital e é obrigatório para seguidores de Allien e/ou Apparat. Para os restantes, o álbum é uma dádiva da melhor electrónica que se (ou)viu no corrente ano.

Posto de escutaTurbo DreamsRetinaJet

terça-feira, 30 de agosto de 2005

5 rapidinhas


Kent - Du & Jag Döden (7/10)
Rock melancólico oriundo da Suécia (e cantado em sueco) e que abraça o tema da morte (o título é traduzível para: Tu e Eu, Morte). A formatação pop das composições, sem lamechices, transporta uma minuciosa atracção para melodias etéreas, graças a uma produção cuidada e a arranjos de bom nível. Num registo vizinho de Muse-meets-Radiohead, o charme escandinavo das harmonias dos Kent é apelativo e faz de Du & Jag Döden uma edição curiosa e um bom motivo para aprender sueco.
(BMG, Março 2005)







Marc Leclair - Musique Pour 3 Femmes Enceintes (5/10)
Mais conhecido pelo trabalho sob a assinatura Akufen, o canadiano Marc Leclair regressa, três anos depois, com um novo trabalho de estúdio onde se mantêm os preceitos fundamentais da sua música: um timbre ambiental e electrónica, algum experimentalismo vanguardista e um toque minimalista. Neste registo, a incursão experimental é reforçada pelo recurso a tons atmosféricos, em padrões que se prolongam indefinidamente. A essa condição errante junta-se uma certa repetitividade que empurra o álbum para uma tendência monocórdica, preenchida por ruídos vogantes sem fito. O efeito relaxante é razoavelmente conseguido, ainda que à custa de menor preponderância da melodia - aqui sobrepujada pelo quase-improviso. Ainda assim, Leclair traz-nos uma ode consistente à gravidez da mulher, feita de puros pedaços electrónica vanguardista, com alguns excessos e que não desgostará os seguidores da carreira do produtor canadiano.
(Mutek, Abril 2005)







Zuco 103 - Whaa! (6/10)
Sediado na Holanda, o trio Zuco 103 (Lilian Vieira, Stefan Schmid e Stefan Kruger) faz uma mistura de bossa nova e samba com sonoridades jazz, funk e electrónica dançável. Este é o terceiro álbum da carreira do trio e parece menos "brasileiro", acolhendo embalos típicos da América Hispânica e Central. Esta derivação para a exploração de novos sons não é estranha à presença do lendário músico jamaicano Lee "Scratch" Perry que, embora remeta o som do grupo a renovadas dimensões, não acrescenta substrato suficiente para fazer deste disco uma edição muito diferente das anteriores dos Zuco 103.
(Ziriguiboom, Junho 2005)







Apparat - Silizium EP (6/10)
O berlinense Sascha Ring apresenta-se num registo polimórfico, em oscilações entre a electrónica e o recurso a instrumentos acústicos. A imprevisibilidade das composições cria no auditor uma energia de expectativas ambiciosas que se renovam a cada segundo e a originalidade marca pontos desde o início do alinhamento. Originalmente gravado numa sessão com John Peel e com a contribuição de um talentoso ensemble de cordas (chamam-se Complexácord), Silizium é uma massa sónica versátil de verdadeira música electrónica inteligente, redimensionada a uma expressão quase orquestral. As vocalizações de Raz Ohara dão uma ajuda preciosa e o registo só sai penalizado pela presença no alinhamento de quatro remixes, além de cinco originais, que não atingem o brilhantismo dos temas de Ring.
(Shitkatapult, Fevereiro 2005)







Nitin Sawhney - Philtre (6/10)
Nitin Sawhney é um dos mais respeitados e talentosos produtores e compositores do Reino Unido e está de volta com um novo trabalho. Philtre mostra o habitual cruzamento de estilos, num registo de fusão que combina as batidas electrónicas, o trip-hop e o jazz vanguardista com instantes de inspiração asiática. Escutar este álbum é percorrer transversalmente a tradição indiana, a folk Bengali, o flamenco, os blues, a soul e o R&B, aqui esmeradamente misturados num som elegante. Às vozes convidadas de Vikter Duplaix, Reena Bhardwaj (estrela das bandas sonoras Bollywood), dos Ojos de Brujo, de Fink (dos Ninja Tunes) e Jason Singh, além das colaborações habituais, unem-se as vibrações únicas das cítaras, das flautas e do piano. A vibração emocional de Philtre é garantida mas o disco não acrescenta nada de inovador ao repertório de Sawhney e algumas composições parecem meras colagens de outros álbuns do músico. Fórmula esgotada?
(V2, Maio 2005)

Posto de escutaSítio Oficial