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domingo, 18 de março de 2007

Andrew Bird - Armchair Apocrypha

8/10
Fat Possum
AnAnAnA
2007
www.andrewbird.net



Se bem que só tenha pulado do anonimato com Andrew Bird & The Mysterious Production of Eggs, de há dois anos, este senhor já por cá anda há mais de uma década e, volvido todo esse tempo, ainda reserva alguns trunfos na manga. Se bem que, no essencial, este Armchair Apocrypha não encerre argumentos muito diferentes do seu antecessor (ou dos demais álbuns), é perceptível uma tendência para ornar as canções com uma vibração rock um tanto mais substancial, pelo recurso a guitarras menos curtidas no estúdio e mais extrovertidas e eléctricas. A elas, juntam-se os imprescindíveis pizzicatos de violino e os assobios, companhias inseparáveis das melodias nostálgicas de Bird, que, mesmo tratando-se de matérias frequentes no cancioneiro do músico, sempre renovam a elegância, a ponto de sugerirem identidades novas. Devem-se, por isso, louvores à destreza de compositor de Andrew Bird e ao verosímil impulso para sonhar que mora nos vagares das melodias suspensas e de como, sem consentir adulterações, esse encanto se mantém mesmo quando se exprime na aparência de uma canção simples. Com o toque de Midas que já foi de Jeff Buckley.

terça-feira, 8 de março de 2005

Andrew Bird - Andrew Bird & The Mysterious Production Of Eggs

Apreciação final: 8/10
Edição: Righteous Babe, Fevereiro 2005
Género: Cantautor/Indie Pop-Rock






Andrew Bird era originalmente um violinista. Dessa formação clássica derivam alguns vectores essenciais da escrita do cantautor de Chicago: a orgânica, a sofisticação, algum maneirismo e uma refinada consciência de melodia. Se os quatro registos anteriores do autor são a prova evidente da versatilidade camaleónica que empresta à composição, nela infundindo um leque lato de inspirações e um toque pessoal único. Neste registo, provavelmente o mais ambicioso da carreira do compositor, a música é delicada, serena e evoluída. O tecido orgânico deste álbum é fiado com uma súbtil captação de sentimento, desafiando o auditor a resistir ao magnetismo invencível das canções. A vivacidade tímida das composições marca pontos do princípio ao termo do disco, confirmando Bird como autor de eleição, um polímato entre Buckley, M. Ward, Banhart e Wainwright.

A composição e as intrumentalizações são soberbas, sobrepujando conceitos e fronteiras e compondo um título rico, assumidamente ecléctico e deliciosamente melancólico. Depois, da aparente complexidade sónica ressalta uma integridade marcante, onde os instrumentos, a voz, a letra são fracções cujo sentido maior reside na junção. O desfecho é um disco absorvente, uma obra simples que cresceu das suas fundações e se tornou um pomposo caleidoscópio de sons diferentes. O segredo de Bird desmonta-se pouco a pouco, o ouvinte é encantado (também surpreendido) a cada instante. Andrew Bird & The Mysterious Production Of Eggs é um dos momentos altos do ano.