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quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Charlie Haden w/ Gonzalo Rubalcaba - Land Of The Sun

Apreciação final: 7/10
Edição: Agosto 2004
Género: Jazz Post-Bop/Latino



Charlie Haden abre-nos outra página de uma pretensa biografia sonora que a sua carreira tem vindo a construir. Neste Land Of The Sun, Haden partiu de uma série de composições do mexicano José Sabre Marroquín e construiu este registo. Na sua companhia, além do pianista Gonzalo Rubalcaba, alguns nomes sonantes do jazz latino como Joe Lovano, Ignacio Berroa, Miguel Zenón, Oriente Lopez, Larry Koonse, Lionel Loueke, Michael Rodriguez e Juan de la Cruz. O resultado é um tomo de faixas temperadas com o requinte do bom gosto, a improvisação melódica, a invenção rítmica e a intersecção serena dos diversos elementos musicais.

Land Of The Sun é um registo profundamente romântico, embora pudesse ter benificiado com a introdução de alguns arranjos upbeat que quebrariam a natureza algo soporífera das baladas. De qualquer forma, a mais recente incursão latina de Haden é bem sucedida no seu intento e deve encontrar uma audiência extensa.

Zita Swoon - A Song About A Girls

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004
Género: Indie Intimista



Os belgas Zita Swoon regressam com A Song About A Girls. O formato é simples: arranjos transparentes e um som quente, maioritariamente acústico. Este trabalho é um disco muito pessoal, sob uma atmosfera de serenidade contagiante, de canções fortes que combinam letras em inglês e em francês.

As canções mostram-se sem qualquer pretensão, são aquilo que é suposto serem, como criações sinceras, actos onde a assinatura é a qualidade. Contudo, a natureza doméstica das gravações, se lhes confere uma maior intimidade, perfeitamente audível, também as faz deslizar para a monotonia de uma produção minimalista, ainda que minuciosamente ponderada. É esse o maior defeito de A Song About A Girls: o disco torna-se algo enfadonho e dificilmente resiste no leitor de cd's até ao fim. De qualquer jeito, é um registo com os seus méritos e merece uma audição, especialmente da parte dos adeptos do som alternativo pouco elaborado e despido de preconceitos. Há aqui laivos de Serge Gainsbourg, ou mesmo Nick Cave, enfeitados com algum exotismo e maturidade.

Ricardo Villalobos - Thé Au Harem d'Archiméde

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Electrónica/Experimental/Techno Minimalista/Club-Dance



O chileno Ricardo Villalobos tem vindo a construir uma discografia extensa de música minimalista, sob as conceituadas etiquetas Playhouse e Perlon. Depois do êxito de Alcachofa (2003), Thé Au Harem d'Archiméde apresenta-se como um disco sem ideias pré-concebidas, um desfile de incessantes jams de electrónica minimalista. As faixas são hipnóticas, esparsas mas unidas numa sensualidade elegante, luxuosas na sua simplicidade, refinadamente nocturnas e suaves. Não se trata de um disco de apreensão imediata, mas a sua textura sonora é apelativa, chama à descoberta e lança pistas para a aurora de um micro-house progressista. Aceitamos o desafio?

Bob Schneider - I'm Good Now

Apreciação final: 6/10
Edição: Abril 2004
Género: Pop-Rock/Cantautor



Bob Schneider é um americano de Austin, praticamente desconhecido no mercado europeu. A sua música vai desde o curioso rock de bar às mais sensíveis composições íntimas, com pitadas de funk, country e folk.

I'm Good Now revela uma razoável bateria de canções, derivando das estruturas simples, das vocalizações atempadas e das letras divertidas. Talvez este registo seja capaz de trazer Bob Schneider a audiências maiores e a um estatuto que o músico ainda não conseguiu atingir. Há neste disco algo de Dave Matthews, dos Counting Crows e, aqui e ali, de Bruce Springsteen.

O segundo registo de estúdio de Bob Schneider tem algumas faixas mainstream, entremeadas com outras mais alternativas. Ainda assim, para um pretendente ao estatuto de cantautor, o disco não apresenta a versatilidade exigível, resvalando displicentemente para o facilitismo pop na maior parte das faixas. E esse é o seu maior pecado.

Elvis Costello - Kojak Variety

Apreciação final: 5/10
Edição: Agosto de 2004 (Re-edição)
Género: Blues/Rock'N'Roll



Originalmente lançado em 1994, Kojak Variety foi re-editado este ano, com o acrescento de vinte temas não incluídos na versão original. Neste trabalho, Elvis Costello escolheu alguns temas do blues e deu-lhes uma nova roupagem, criando um tomo coerente de canções, algures entre o blues mais costumeiro e o rock'n'roll mais mexido. A oferta é honesta, mas o desfecho fica aquém do propósito. Além das boas interpretações, o mérito deste título é apenas um: desperta-nos a curiosidade pelos originais!

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Nirvana - With The Lights Out

Apreciação final: 7/10
Edição: Novembro 2004
Género: Grunge-Rock/Pop-Rock Alternativo


Antes dos Nirvana, o rock alternativo estava confinado a secções especiais nas lojas de música, distantes da atenção do público. As grandes editoras consideravam-no um género residual. O segundo álbum do trio de Seattle, Nevermind, ainda hoje considerado um dos melhores registos da história, além de trazer os Nirvana ao estrelato mundial, devolveu ao rock o estatuto merecido. Os Nirvana tinham mudado o mundo.

With The Lights Out é a resposta a um anseio antigo dos seguidores da banda. Desde o suicídio de Cobain, em Abril de 1994, os fãs pediam a edição das raridades, B-sides e takes alternativos dos Nirvana. Pois bem, é precisamente isso que esta edição oferece. Dentro da caixa especial, um DVD e três CD, num total de 81 faixas, compostas maioritariamente de material não editado, a não ser em edições bootleg. De qualquer forma, nenhum tema relevante foi deixado fora, o que faz desta edição, a recolha final das raridades e outtakes dos Nirvana.

Este lançamento é uma preciosidade para os admiradores da banda mas, para auditores mais atentos, pode não parecer tão apelativo quanto era suposto. O interesse das faixas seleccionadas resume-se à curiosidade das razões históricas, mais do que à qualidade das gravações, ou à relevância do material. Estão presentes várias gravações quase-domésticas, muitos solos acústicos e versões diferentes de músicas conhecidas dos Nirvana.

With The Lights Out não será uma decepção para ninguém, mas é um presente natalício mais recomendável para os fãs indefectíveis da banda.

Cidade de Deus

Apreciação final: 8/10
Edição: 2002
Género: Drama/Thriller/Policial


Cidade de Deus é uma favela do Rio de Janeiro que, durante os anos 80, se tornou um dos maiores focos de violência do Brasil. O enredo deste filme aborda a vida quotidiana dos delinquentes da Cidade de Deus, cujas vidas de alguma forma se intersectam. O narrador é um jovem aspirante a fotógrafo que tenta fugir ao destino fora-da-lei da favela. Ele é o elemento de humanidade que desponta da violência e da miséria humana da Cidade de Deus.

Cidade de Deus é um excelente documento cinematográfico, com uma realização sublime de Fernando Meirelles, um argumento inteligente e uma montagem perfeita. Sem dúvida, um dos melhores filmes dos últimos anos.

The Czars - Goodbye

Apreciação final: 6/10
Edição: Novembro 2004
Género: Pop-Rock Alternativo



Algures entre a pop mais melosa e a country tradicionalista, está o tom dos The Czars. Este é o terceiro registo da banda de Denver. O pessimismo outunal continua a pautar as estruturas líricas das músicas, John Grant não consegue encontrar optimismos catárticos. E ainda bem, os Czars não ficam bem com outro som. A beleza deste registo está na fina fronteira entre a melancolia e a tristeza. Goodbye não é um disco sombrio, mas é definitivamente um registo melancólico, algo misantropo, fechado sobre si mesmo. A poesia cruza-se com o desapontamento, o remorso e o cinismo, o disco é subtil, não é óbvio mas com alguma persistência percebe-se a medula dos The Czars. E afinal, eles até nem soam nada mal. Gosto especialmente das faixas "Paint The Moon" e "Pain" (faz-me lembrar os Mull Historical Society).

Se o disco resistir à primeira audição, então revelar-se-à a natureza dos The Czars, aparentemente difusos, mas com talento para merecer uma atenção especial.

Gonzales - Solo Piano

Apreciação final: 6/10
Edição: Setembro 2004
Género: Instrumental/Piano



Conceber um disco que se reduz ao som do piano, sem qualquer acompanhamento, não é tarefa a que qualquer músico se entregue. Foi esse o desafio que Gonzales decidiu aceitar. Dezasseis faixas em registo solo de piano é a proposta do último trabalho do canadiano, celebrizado pela sua colaboração com a polémica Peaches.

Neste Solo Piano não há palavras a interromper o curso triunfante da música, as composições de piano desfilam, nuas e puras, absolutamente incorruptas. Surpreendentemente, ou talvez não, as composições não são de digestão difícil, fluem com agilidade e são absorvidas em instantes de prazer espontâneo. A filosofia é bastante díspar de The Presidential Suite mas é amostra do talento de "Chilly" Gonzales no instrumento que lhe ensinou o amor pela música: o piano.

As composições podem não ser excelsas, estão longe de fazer de Solo Piano um clássico; ainda assim, vale a pena satisfazer o desejo de ouvir Gonzales sozinho ao piano.

Sigmatropic - Sixteen Haiku & Other Stories

Apreciação final: 5/10
Edição: Janeiro 2004
Género: Experimental/Indie-Rock



O projecto experimental do grego Akis Boyatzis fez a adaptação da poesia de George Seferis para o tecido lírico das composições deste registo. Vinte e duas faixas sem nome, tipicamente Sigmatropic, interpretadas com o cunho pessoal de cada um dos vários convidados ilustres: Robert Wyatt, Laetitia Sadier (Stereolab), Martine Roberts (Broken Dog) Alejandro Escovedo, Edith Frost, Cat Power, Chan Marshall, Mark Eitzel, Howe Gelb e Steve Wynn. Contudo, apesar do desempenho honesto de cada um dos participantes, nenhuma das faixas se afirma definitivamente, parece faltar-lhes uma noção de compromisso superior. É verdade que são faixas algo excêntricas, íntimas, relaxantes e sensuais, mas os cristais luzidios que as compoêm não chegam para afastar irremediavelmente os espectros sombrios do silêncio.

A poesia de Seferis, laureado com o Nobel, merecia uma melhor homenagem musical.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Talib Kweli - The Beautiful Struggle

Apreciação final: 6/10
Edição: Setembro 2004
Género: Hip-Hop/ Rap Underground



O talento de Talib Kweli é distinguido há alguns anos no seio da esfera hip-hop, especialmente desde a participação no projecto Black Star, na companhia de Mos Def e do DJ Hi-Tek. Desde então, Talib conquistou o respeito dos seus pares e da crítica, tornando-se um dos rappers mais elogiados à escala planetária. Os elogios públicos do consagrado Jay-Z ajudaram à consolidação dessa imagem. Contudo, Talib Kweli não foi capaz, de explodir comercialmente e The Beautiful Struggle é a primeira tentativa assumida de aproximar o registo underground que caracterizava os seus trabalhos anteriores, do exigente crivo do comercial mainstream. O resultado é um pouco confuso, não se chega a perceber o que mais pesa nas criações deste álbum, se a natureza irreverente da afirmação do discurso ou se a tentativa de alargar esse discurso a outros públicos. O desfecho: não é um disco underground, tampouco será um retumbante êxito comercial. Ainda assim, não restem dúvidas, há algumas boas faixas de hip-hop mas não chegam para fazer deste A Beautiful Struggle aquilo que ele deveria ter sido.

Jello Biafra & The Melvins - Never Breathe What You Can't See

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Punk Revivalista



O antigo frontman dos Dead Kennedys regressa, na companhia dos Melvins, em Never Breathe What You Can't See. O cinismo corrosivo e o intervencionismo político de Biafra não foram minorados neste registo, antes parecem ter ganho um novo fôlego. O suporte musical dos Melvins é um precioso ajutório para a construção de uma sonoridade híbrida, algures entre uma recriação dos defuntos Dead Kennedys e o metal sujo e afirmativo dos Melvins. É curiosa a fusão entre estes veteranos iconoclastas, a berraria estridente de Biafra e a electrizante interjeição das guitarras de Buzz Osborne.

O registo é acerbo, sarcástico q.b., tenso e modernamente punk.

Cold Mountain

Apreciação final: 5/10
Edição: 2003
Género: Drama/Romance


Nos vagos dias da Guerra Civil Americana, o soldado desertor Inman (Jude Law) enceta um atribulado regresso a Cold Mountain, sua terra natal, esperando encontrar a amada Ada (Nicole Kidman), por quem se havia apaixonado antes da partida para a guerra. Pelo caminho, Inman cruza-se com um punhado de personagens pitorescas, enquanto Ada tenta gerir a quinta do seu falecido pai com a ajuda da grosseira camponesa Ruby (Renée Zellweger).

Este é o mote para Cold Mountain, um razoável exercício de reflexão sobre a tenacidade do amor e as adversidades que se lhe opõem pelas circunstâncias da vida. E como a guerra pode ser um terrível destruidor de utopias.

Uma nota para a interpretação de Zellweger, oscarizada pela Academia, num registo consideravelmente distante da imagem a la Bridget Jones que lhe está colada. O resto é uma promessa de filme interessante, que sacrifica a exploração da história à xaroposa história de amor. Negócio oblige...

Kathryn Williams - Relations

Apreciação final: 6/10
Edição: Maio 2004
Género: Folk/Indie/Cantautor



Kathryn Williams é há muito comentada como uma das vozes liderantes da cena folk. A cantora conquistou uma reputação considerável muito à custa do registo Little Black Numbers, caracterizado por um som tipicamente lo-fi, íntimo e profundo. Este Relations é um álbum de versões que a própria Williams define como uma reconciliação com a música. É sabido que um álbum exclusivamente feito de covers é empreita arriscada; esse risco é assumido pela cantora e o resultado, não sendo excelente, é de bom nível. Do alinhamento fazem parte temas de Neil Young ("Birds"), Leonard Cohen ("Hallelujah"), The Byrds ("The Ballad Of Easy Rider"), Velvet Underground ("Candy Says"), Bee Gees ("I Started A Joke"), Lee Hazlewood ("Easy And Me"), Nirvana ("All Apologies"), entre outros.

Como sempre num álbum deste género, algumas versões funcionam melhor do que outras. Não gosto de "All Apologies", parece-me uma distorção turtuosa dos princípios básicos da canção de Cobain. Por outro lado, a versão de "Hallelujah" está próxima da que já havia sido feita por Jeff Buckley e constitui um dos pontos altos do registo. "Spit On A Stranger" e "Candy Says" também são interessantes.

Relations não é um trabalho generalista, mas merece uma visita curiosa. Deixe-se seduzir pela música.

Young Gods - Music For Artificial Clouds

preciação final: 5/10
Edição: Abril 2004
Género: Ambiental/Minimalista



Formados em 1985, na cidade suiça de Genebra, os Young Gods deixaram o seu cunho pela limpidez da sua música, pela beleza poética dos seus registos, feita de impulsos induzidos pela adrenalina, como que cruzando com perícia, flores e serras eléctricas, em cima de uma mesa de misturas. Quatro anos após a última edição em disco, Music For Artificial Clouds assinala o regresso da banda suiça. O álbum assenta no formato ambiental-minimalista, a música reduz-se à sua natureza mais ínfima, debitam-se sons esparsos.

Esperar quatro anos por um novo álbum dos Gods e receber este Music For Artificial Clouds, não pode deixar de ser considerado, por injusto que tal possa soar, um frustrante anticlímax, uma espécie de traição aos admiradores do trio suíço.

Fãs dos Young Gods, esqueçam este disco! Admiradores da música experimental, ouçam...sem esperar nada especialmente inovador. Music For Artificial Clouds assemelha-se mais a uma banda sonora de um sinistro filme de ficção científica do que a um desenredado exercício de puro relaxe.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Janela Secreta

Apreciação final: 5/10
Edição: 2004
Género: Drama/Thriller/Suspense


Realizado por David Koepp (argumentista de Homem Aranha e Sala de Pânico) e protagonizado por Johnny Depp e John Turturro, foi recentemente lançado em DVD no mercado nacional este Janela Secreta.

O bem sucedido escritor Mort Rainey (Depp), refugia-se numa casa isolada na floresta, depois de descobrir o adultério da sua mulher. Enquanto decorre o processo de divórcio e à medida que a sua vida se torna cada vez mais asceta, Mort é acusado de plágio por um enigmático psicopata (Turturro), que reclama a autoria de um dos seus textos. O enigma da identidade do psicopata e a necessidade de provar a autoria da história é o elo dinamizador do enredo.

Depp e Turturro estão excelentes, a realização é boa. O que falha mesmo é o epílogo do filme, uma verdadeira decepção, sem uma ponta de originalidade, em plágio evidente de outras propostas no género. Num filme sobre plágio, para quê copiar?

To Rococo Rot - Hotel Morgen

Apreciação final: 6/10
Edição: Maio 2004
Género: Electrónica/Experimental


O trio berlinense To Rococo Rot, fundado em 1994, inspira-se no pós-rock, combinando a electrónica com pequenos elementos acústicos, na mesma linha dos Tortoise ou dos Stereolab. O experimentalismo é a filosofia basilar deste conceito, partindo de um tecnho simples, enriquecido por complexos ambientes de hipnose sonora. O conceito é operado engenhosamente neste registo, fazendo de Hotel Morgen uma inspirada combinação de faixas suficientemente criativas para convencerem os mais cépticos, num estilo único, aqui elevado a uma completude não existente nos registos anteriores dos To Rococo Rot. Ainda assim, a sensação do ouvinte perante o desfile das faixas é de que falta algo. As composições não atingem um nível superior: são agradáveis, demonstram o talento do grupo, mas ficam aquém de um integral compromisso de excelência. Tornam-se reféns de si mesmas.

Hotel Morgen é um manifesto de afirmação de um estilo, mais um contributo irónico para proclamar os To Rococo Rot como representantes máximos de um género musical quase único: o seu!

Apesar de não ser um disco excepcional, é recomendável aos adeptos da electrónica experimentalista.

Badly Drawn Boy - One Plus One Is One

Apreciação final: 6/10
Edição: Julho 2004
Género: Rock Elaborado/Alternativo/Indie


Os álbuns anteriores de Damon Gough (conhecido como Badly Drawn Boy) mostravam um músico incansável e intensamente criativo que rapidamente ascendeu ao estatuto de ícone indie, especialmente após a produção da banda sonora original do filme About A Boy e do álbum Have You Fed The Fish?.

Este é o seu quarto registo e faz uma abordagem singela, ainda que em permanente peleja entre a simplicidade e a complexidade, algures entre um Jim O'Rourke ou Elliot Smith e os Jethro Tull. À medida que o ouvinte pula as faixas de One Plus One Is One, é-lhe induzida uma introspecção agridoce, uma jornada ampla pelas adversidades do amor. As músicas? Dão um toque artesanal quase barroco, numa produção minuciosa, simultaneamente imponente. Mas será que estas canções mais elaboradas terão mais êxito do que as mais simples?

One Plus One Is One atesta um refinamento de Damon Gough nos terrenos já conquistados, ao invés da procura de novos espaços. É essa a limitação maior do disco, mas não o impede de ser um exercício de audição valioso, embora a exuberância da roupagem dos temas possa ofuscar a sua verdadeira essência.

A Minha Namorada Tem Amnésia

Apreciação final: 6/10
Edição: 2004
Género: Comédia/Romance


Do realizador de Terapia de Choque(2003), chega agora ao mercado DVD português, A Minha Namorada Tem Amnésia, com Adam Sandler, Drew Barrymore e Rob Schneider nos principais desempenhos.

Henry Roth (Sandler) é um veterinário que vive no Havai e que faz de playboy junto das frequentadoras passageiras daquela ilha paradisíaca. Um dia, apaixona-se ocasionalmente por Lucy (Barrymore), uma jovem que sofre de amnésia de curto prazo. Uma vez que ela jamais se lembrará de o conhecer, Henry vai tentar conquistá-la todos os dias, na esperança de que ela acabe por se recordar de si.

A Minha Namorada Tem Amnésia é uma comédia simples, com alguns gags divertidos, enquadrados por personagens caricatas: um bodybuilder sexualmente frustrado, uma mulher que se confunde com um homem e Ula, um havaino barrigudo e indolente (Schneider).

Saint Germain des Prés Café vol. 5

Apreciação final: 6/10
Edição: Outubro 2004
Género: Electro-jazz/Chill-Out/Nu-jazz


A colecção Saint Germain des Prés Café dispensa apresentações. De Paris a Tóquio, passando por Londres e Nova Iorque, trata-se da mais famosa compilação de electro-jazz. A evocação da zona de Saint Germain remete-nos para a atmosfera fumosa dos pequenos clubes de jazz de Paris, onde tocaram Dizzy Gillespie, Miles Davis ou Duke Ellington.

Neste quinto volume da série destaca-se o novo conceito gráfico da capa. Em termos sonoros, mantém-se a aposta nas novas tendências do jazz electrónico, um estilo musical que desagrada aos mais indefectíveis seguidores do jazz tradicional. Ainda assim, para quem aprecia este género, a colecção é interessante. O volume 5 é um bom exemplo do que vale actualmente o nu jazz.

A título de exemplo, refira-se que fazem parte do alinhamento faixas de Slow Train, De-Phazz, Stacey Kent, Koop, dZihan & Kamien e Gotan Project, entre outros.