quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Rua da Academia das Ciências

RUA DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS

Procurei os teus olhos, quis achar
Nos teus olhos a luz que nos salvasse.
Mas tu não tinhas olhos tinhas plateias
No Liz, no S. Luís e no Terrace.

Busquei teu coração, não desisti à primeira.
Teu seio arfava, arfava docemente
Por força que por baixo que por dentro
Tinhas um coração terno como gatinhos.
Mas afinal não tinhas coração tinhas um saco
Com Jean-Paul Sartre e rendas a cinquenta o metro.

Falei com tua mãe. Era impossível
O engano. Com certeza
Que o engano era impossível.
Mas ela murmurou: saia daqui, senhor,
Que anda você a traficar com a minha filha?

De forma que o entrar nas tuas pernas
Foi como entrar num tribunal de contas.
Não tinhas pernas tinhas passadeira
Arroz, licores, outro noivo e gritinhos.

Mário Cesariny

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