quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Doze moradas de silêncio

Doze moradas de silêncio

Hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!).
Coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos,
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira.
Na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al Berto

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